Aerocast 20 – Jornalismo Manicaca

No vigésimo episódio do Aerocast, Toledano, Thiago “Caçador de Manicacas”, Henrique e Athos se reúnem para comentar as manicacadas que os jornalistas cometem por aí quando o assunto é aviação. Uma pior que a outra! Ouve aí! 🙂


Comentado no programa

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  • OLucasConrado

    Apesar de meio desiludido e querendo trocar o jornalismo pela aviação, deixa eu defender a classe.

    Aliás, para abrir o comentário: sim, existe sensacionalismo. Existe click bait (quando você distorce a informação, para conseguir audiência). Existe má fé. Esses casos, vou ignorar. Não vou tentar defender o indefensável.

    É o que comentei no outro episódio. Na maioria dos casos, o jornalista não comete esses erros (absurdos em muitos casos) por má fé. Pode até rolar uma preguiça em alguns casos (não custa nada procurar o modelo do avião no Google), mas em outros, é puro desconhecimento. Pô, pra gente, que curte e trabalha na aviação (no caso de vocês), é natural chamar o motor do avião de “motor”. Até alguns meses atrás, eu chamava o motor de “turbina”. Chamava assim porque esse foi o termo que cresci ouvindo. Na TV, filmes, conversas, revistas e livros, sempre chamavam o motor de turbina. Era natural que, quando eu fosse me referir ao motor, chamasse ele pelo termo que sempre conheci. Ainda bem que o pessoal da aviação que conheço é muito aberto e está sempre disposto a explicar minhas dúvidas (um abraço pro pessoal do Aerocast e pro Enderson Rafael – hoje, falei o nome dele).

    Passei pelo jornalismo científico e senti na pele a dificuldade que é falar para o grande público de um tema tão restrito e que exige tanto conhecimento. Imagina pegar um artigo publicado em inglês por uma universidade alemã, entender, traduzir e resumir para crianças de 10 anos, em uma matéria que deveria ter, no máximo, 1500 caracteres? (Até aqui, meu comentário está com 1364 caracteres). Difícil, né? Eu ainda tinha semanas para apurar e poderia enviar a matéria para o cientista ler e corrigir. Eu era sortudo. Agora, o coitado que está num portal de internet ou num jornal diário não tem essa flexibilidade toda. Ele está ali, com o editor no cangote pra terminar logo a matéria, com assessoria de imprensa de universidade dificultando o contato com especialistas (ô povo que complica nossa vida), com cientista em muitos casos com má vontade de falar porque “o jornalista vai distorcer tudo mesmo”. Não tem como o trabalho ser bem feito!

    Quando se trata de aviação, o problema é ainda mais grave. Bem ou mal, existe a cadeira Jornalismo Científico nas universidades, como eletiva. Não existe Jornalismo de Aviação. Aí um avião cai. O editor pega um cara acostumado a escrever matéria sobre buraco de rua e coloca pra cobrir acidente aéreo. Com bombeiro impedindo de chegar perto, testemunhas em pânico e a pressão da concorrência dar o furo (ui!) antes dele. E aí, como fica?

    Sou um grande crítico dos erros do jornalismo. Essa matéria da Mundo Estranho me deixou de cabelo em pé http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-o-aviao-voa . A minha reação inicial é gritar “caralho, como você é idiota!”. Mas aí me lembro de toda dificuldade que também passava quando escrevia matérias (hoje sou editor de vídeo) e fico pensando na pressão que é de um cara que, às vezes, tá cuidando de mais de uma pauta de uma vez. Não tem como condenar o coitado. A matéria diz que flaps são as superfícies que fazem o avião subir, descer, girar, sei lá o quê. A gente, que estuda/trabalha com aviação, sabe que os flaps não têm essa função. Mas quem é de fora da aviação, não faz ideia do que seja flap. Slat, profundor, aileron, galley, turbofan, deriva, intradorso, extradorso, bordo de ataque, bordo de fuga, governador… não sabia o que esses termos significavam até pegar um livro de Teoria de Voo e o Três Céus. Aliás, o próprio Três Céus tem uns termos que eu não sabia o que era quando li (tipo slats).

    Aliás, sobre os termos da aviação. Eu vi a entrevista com o piloto do avião dos Huck, acho que na Globonews. Ele estava lá explicando o que fez para salvar a família e lembro dele falar que bandeirou quando o motor parou. Eu sabia o que é bandeirar porque, na semana anterior, eu havia lido o termo no livro de Teoria de Voo. Mas a repórter fez a pergunta que qualquer pessoa que nunca leu sobre aviação faria: “o que é bandeirar?”. Esses ruídos na comunicação só atrapalham.

    Não estou aqui querendo defender os erros, muito menos dizer que é natural dizer que o Brasil tem F-15 adaptados, ou que o sensor da “turbina” interfere no trem de pouso, ou seja lá o que a pessoa escreveu. Na minha visão quase romântica, a Comunicação Social é um serviço prestado a favor da Sociedade, logo deve ser o mais isento, apurado e imparcial possível. Mas não existe imparcialidade, tem muito interesse por trás de notícias e, na maioria dos casos, não há tempo hábil para se apurar as matérias como elas deveriam ser apuradas.

    Na maioria dos casos, o problema não está no jornalista. Ele é só o peão, que tá na linha de frente. O problema é o modelo de jornalismo praticado no Brasil. Enquanto a gente tiver esse modelo de priorizar o furo ao invés da exatidão, essas manicacadas vão continuar acontecendo.

    Outra coisa que seria legal é órgãos ligados à aviação abrirem cursos básicos para jornalistas. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais tem um curso online de meteorologia para jornalistas. Seria muito legal se a ANAC, Infraero ou mesmo as companhias aéreas tomassem iniciativas nessa direção, para que as manicacadas sejam reduzidas.

    Enfim, o comentário está gigante, mas o tema rende e não tenho muita gente com quem conversar sobre isso.

    Grande abraço a todos!

    Lucas Conrado
    26 anos
    Jornalista (e manicaca não por mal) e futuro aviador
    Rio de Janeiro

    • OLucasConrado

      Ah, e quando tem um acidente aéreo, nem vou aos portais de notícia. Vou direto ao Aviões e Músicas!

    • OLucasConrado

      Ah [2], foi um prazerzão conhecer o Toledano pessoalmente! Vamos marcar de tomar um chopp qualquer dia desses!

  • Leonardo Viveiros

    Olá,
    parabéns por outro episódio magnífico.

    Esqueceram de linkar o episódio do ILS!

  • Não sei se dou risada ou choro quando vejo coisas assim…

    Na minha opinião essa foi uma das melhores que eu já li:
    http://www.avioesemusicas.com/professor-nota-asa-descolada-avisa-aos-tripulantes-e-e-expulso-do-aviao.html

  • Luiz Felipe

    Ótimo episódio. Parabéns.

  • Reinaldo Del Fiaco

    Olá, sou PC e ouvi sobre vocês por indicação do Leo Lopes, radiofobia. Muito bom ouvir conteúdos sobre aviação!

  • Gumercindo Junior